Alguma vez você já se sentiu sufocado com palavras?

Sabe, quando vê uma série de acontecimentos desagradáveis e que se tornam cada vez mais comuns e sua indignação alcança tal ponto onde até a presença (mesmo que virtual) das pessoas que expressam esse comportamento é insuportável para você e calar-se a respeito só faz com que se sinta mal consigo?

Tenho me sentido assim a algum tempo.

A intolerância das pessoas, umas com as outras tem me envenenado de tal forma que tenho evitado as redes sociais.

Todos os dias me deparo com uma enxurrada de xingamentos, depreciações, indiretas, alfinetadas que tenho a impressão de ter aberto o portão de uma arena ao invés do simples ato de ligar o computador.

Algumas das crônicas do Gill no Casuísmo e do Leandro no Pro seu dia ficar melhor volta e meia apresentam relatos e reflexões sobre estes temas e que merecem muito serem lidas.

Mas voltando a minha divagação…

Nosso país tem se dividido em visões politicas diversas que descambaram e invadiram as casas das pessoas comuns querendo mexer com suas estruturas e em que acreditam.

O que não percebem é que enquanto brigam com foices, bicadas e martelos o sol tem nascido para os oportunistas, a estrela ainda esta no céu e a grama não tem ficado mais verde do lado do vizinho bonzinho.

A falta de aceitação das opiniões alheias tem protagonizado algo que nem de longe podemos chamar de debates acalorados, porque na maioria das vezes perde-se o poder da argumentação e toma conta do palco a total falta de respeito.

Veículos que se definem como geradores de informação descrevem os fatos de acordo com quem pagou mais no dia, as redes sociais foram tomadas por páginas que defendem seu ponto de vista humilhando e depreciando seus opositores, ao invés de difundirem os seus princípios, sua história e seus ideais.

Como se espera ter apoio de pessoas de bem se a primeira coisa que faço é acusar meu opositor ao qual pode ter muitos defeitos, mas eu prefiro iniciar minha dissertação os chamando de “vaca”, “viado”, “troglodita”?

Um exemplo bem atual é o embate sobre a PL 5069, a qual pasmem, mas cerca de 80% das pessoas que opinam sobre o assunto sequer leu na integra ou buscou informações de fontes seguras a respeito baseando-se apenas no que está escrito nas redes sociais. Esse episódio tem demonstrado a face mais detestável do ser humano, o intolerante, o grosseiro, o ignorante, em alguns casos eu poderia me referir até como bestiais (sem ofensa as bestas).

Aí pergunto, e eu?

Que não sou filiada a partidos políticos, não pertenço a coletivos, não sou de direita e nem de esquerda, acredito em Deus mas não sigo nenhuma religião, eu não posso mais ter opinião. Porque se eu tiver a infeliz ideia de postar qualquer coisa a respeito do como eu realmente vejo as coisas, serei agredida de ambos os lados como já aconteceu.

Onde foram parar conceitos tão lindos quanto tolerância, aceitação, caridade?

Caridade essa que foi o que realmente me levou a escrever esse post.

Ontem, depois de deixar de seguir muitas pessoas e páginas no meu Facebook, resolvi perguntar a um grupo especifico o que elas faziam em prol do social, de um mundo realmente melhor, já que vivem a reclamar e xingar nas redes sociais.

Das 15 pessoas, somente um era envolvida em projetos que visam ajudar de fato os outros.

O que me leva a outras perguntas…

Estou eu tão errada em não esperar nada dos outros e sim tentar melhorar e evoluir JUNTO com o outro?

Estou eu tão errada em continuar mantendo a amizade e o respeito por alguém que pensa diferente de mim?

Estou eu tão errada em achar esse comportamento intolerante, inconveniente e triste?

Estou eu tão errada em querer ajudar quem precisa ao invés de passar o dia sentada apontando defeitos e reclamando de tudo?

Se eu estiver mesmo errada, perdoem-me.

Mas estava sufocando, engasgada com palavras que precisavam ser ditas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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